LITERALMENTE PALAVRAS




Futuro, um vislumbre

“Em física, chama-se “sistema” um fragmento concreto da realidade que foi separada para estudo”
In Wikipédia, a enciclopédia livre


                 Se considerarmos o passado, o presente e o futuro como um sistema, separados da linha temporal que os define, e os observarmos à lupa, permitimos que cada um deles tome uma dimensão e um reconhecimento em que as vivências, os valores e os ideais ganhem vida e sejam interpretados consoante a visão de cada indivíduo. 

                Sendo o passado o fragmento de uma realidade outrora existente, onde se podem ir buscar as memórias de um tempo que foi, ou as datas mais significativas das origens do homem e do mundo; é o futuro a alienação do presente, como uma mera probabilidade à qual não se podem associar figuras e ou imagens? Então, as questões que envolvem o futuro dum país, do ambiente, da sociedade, da certeza de um ter, ou a incerteza de não existir, não passam de ocupações de tempo antecipado que perturbam mentes e mentalidades travando o aperfeiçoamento e o gozo da realidade presente.

               Ainda, em mecânica quântica a figura do futuro é inexistente, uma vez que a teoria actua de forma atemporal. 

                 Que teoria é esta e como identificá-la a um depois?

               Divagando um pouco, imagine-se alguém que nos fala sobre este tema, esta teoria, dos sistemas físicos, das moléculas e átomos, dos electrões e de protões (energia metafísica que somos?). Algures no nosso percurso pessoal, contactámos com estes tópicos, frequentámos uma disciplina que se focava (e ainda se foca) nestes temas. A não ser que se seja louco o suficiente para a compreender e analisar, como leigos, e desvalorizando a complicação para o seu entendimento, se pode única e simplesmente considerar uma área de interesse e a sua importância maior ou menor dependendo do sujeito. Basta isso.

                 Já o futuro é um pouco como esta conjectura física, relevante e válida, mas em que a sua dimensão é próxima de algo que não se vê, sente ou cheira. Ambígua, por assim dizer.
Não sendo palpável, porque se permite que nos tire o sono ou nos dê insegurança?
Diariamente, somos bombardeados com uma panóplia de informações que nos desagradam e escurecem a realidade, inquietando face ao amanhã. Talvez por isso não nos consigamos abstrair e alhear das preocupações, muitas delas que não compreendemos, mas ainda assim suficientemente fortes para nos afastar da exultação que é agir no agora.

             É o momento ideal para nos focarmos no presente, para o aceitar sem tão pouco possibilitarmos a submissão dos valores que cada um tem, fortalecendo a mente e o físico, projectando e inovando, opinando e colaborando para o desenvolvimento do que nos rodeia. 

               Futuro é uma palavra em construção, assente sobre pilares passados e edificada pelos instantes presentes. Cada um é o obreiro do seu futuro.



Carmen Ezequiel
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